Ciclismo · Notícia

Tadej Pogačar iguala o recorde de cinco Voltas a França e fecha a 113.ª edição em Paris

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A 113.ª Volta a França terminou em Paris a 26 de julho. Tadej Pogačar venceu a classificação geral pela quinta vez na carreira, com 6:26 de vantagem sobre Remco Evenepoel, e passou a partilhar o recorde de triunfos da prova com quatro nomes históricos do ciclismo.

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Pormenor da roda e da transmissão de uma bicicleta de estrada parada sobre alcatrão.
Três semanas de corrida acabam sempre por se resumir a alguns minutos de diferença na classificação geral.

A 113.ª edição da Volta a França fechou em Paris a 26 de julho de 2026 com Tadej Pogačar de amarelo. É a quinta vitória do esloveno na classificação geral da prova, um registo que só quatro corredores tinham alcançado até aqui: Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Bernard Hinault e Miguel Induráin. Pogačar passa a integrar essa lista.

A diferença final para o segundo classificado foi de 6:26. O lugar coube a Remco Evenepoel, que assinou assim o seu melhor resultado numa Volta a França. O pódio completou-se com o mexicano Isaac del Toro, a 9:42, num terceiro lugar que confirma a entrada de uma nova geração nas primeiras posições da corrida mais exigente do calendário.

Del Toro venceu ainda a classificação dos jovens, e com ela a camisola branca — a combinação de pódio absoluto e triunfo entre os corredores mais novos é rara e costuma antecipar carreiras longas em provas de três semanas. Na classificação por pontos, a camisola verde foi para Mads Pedersen, com 82 pontos de vantagem sobre Jasper Philipsen.

A classificação da montanha teve como vencedor Richard Carapaz, com 56 pontos de avanço sobre Pogačar. É um desfecho que ilustra bem a mecânica desta classificação: os pontos distribuem-se pelos cumes ao longo das três semanas e recompensam quem ataca de longe em fugas, e não necessariamente quem chega primeiro às metas de montanha decisivas para a geral.

Uma diferença de mais de seis minutos na classificação geral é, pelos padrões da última década, uma margem larga. As grandes Voltas modernas têm-se decidido com frequência por menos de um minuto, porque o material, a alimentação e a preparação em altitude aproximaram o pelotão de topo. Quando o intervalo volta a abrir, isso significa quase sempre que a corrida teve pelo menos um dia de rutura — um contrarrelógio longo ou uma etapa de montanha em que o grupo da frente se partiu.

A última etapa, disputada a 26 de julho, foi vencida por Mathieu van der Poel. O encerramento em Paris manteve o estatuto de dia sem disputa pela classificação geral e com decisão à parte na chegada, uma convenção que a prova conserva há décadas e que continua a ser um dos raros acordos tácitos do desporto profissional.

A prova mantém há décadas a mesma arquitetura de três semanas: uma primeira em que o pelotão se conserva quase inteiro e as diferenças se contam em segundos, uma segunda em que a montanha começa a separar os candidatos, e uma terceira em que o desgaste acumulado transforma pequenas fragilidades em minutos perdidos. É por essa razão que a classificação final raramente se parece com a do fim da primeira semana.

Para o ciclismo português, esta Volta a França ficou marcada por uma ausência anunciada com meses de antecedência. João Almeida não alinhou na edição de 2026: a decisão foi comunicada ainda em dezembro de 2025 e orientou a sua temporada para as classificações gerais do Giro d'Italia e da Vuelta a España, que parte do Mónaco a 22 de agosto.

Cinco vitórias na Volta a França colocam Pogačar num patamar que demorou meio século a ser alcançado por alguém: Induráin fechou a sua série em 1995. O que este número significa em termos históricos só se perceberá com distância — e é por isso que esta redação regista o resultado e a data, e deixa a comparação entre gerações para textos de arquivo. O resto da temporada está reunido na secção de ciclismo, incluindo a cobertura da Volta a Portugal.