O atletismo divide-se em quatro famílias de provas. As corridas, da velocidade pura ao fundo, decidem-se por tempo; os saltos e os lançamentos, agrupados sob a designação de concursos, decidem-se por distância ou altura; as provas combinadas — decatlo e heptatlo — somam pontos atribuídos por tabelas fixas a cada uma das especialidades que as compõem; e as provas de estrada e de marcha decorrem fora do estádio, em circuitos medidos e certificados.
Uma marca só é homologada quando o recinto, a cronometragem e as condições ambientais cumprem os requisitos regulamentares. Nas corridas até aos 200 metros e nos saltos horizontais, mede-se o vento de cauda: acima de dois metros por segundo, a classificação da prova mantém-se, mas a marca não entra nos registos. É por isso que um arquivo sério nunca publica um tempo de velocidade sem a coluna do anemómetro ao lado.
O acesso às grandes competições faz-se hoje por dois caminhos paralelos: a marca de qualificação, fixada antecipadamente por especialidade e obtida dentro de um período definido, e a classificação por pontos acumulados ao longo desse período. O segundo caminho recompensa a regularidade e reduz o peso de um único dia excecional — mas obriga a competir com frequência, o que altera o desenho de toda uma época.
Nos concursos, o juízo é sobretudo material. No comprimento e no triplo salto, a tábua de chamada tem uma faixa de plasticina que revela ultrapassagens do limite; a medição faz-se do ponto de chamada até à marca mais recuada deixada na areia, perpendicularmente à tábua. Nas estafetas, o que conta é a posição do testemunho dentro da zona de transmissão, e não a posição dos atletas.