Atletismo · Notícia

111.ºs Campeonatos de Portugal: sete recordes em três dias no Estádio Universitário

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Os 111.ºs Campeonatos de Portugal de atletismo ao ar livre juntaram cerca de 700 atletas no Estádio Universitário de Lisboa entre 24 e 26 de julho. Saíram de lá um recorde do mundo, dois recordes nacionais, um recorde nacional de sub-23 e cinco recordes dos campeonatos.

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Linha de partida pintada a branco numa pista sintética vermelha, vista rente ao piso.
Três dias de competição num único recinto obrigam a comprimir todas as especialidades em sessões de poucas horas.

A 111.ª edição dos Campeonatos de Portugal de atletismo ao ar livre decorreu entre 24 e 26 de julho no Estádio Universitário de Lisboa, com cerca de 700 participantes. A organização coube à federação, em conjunto com a Associação de Atletismo de Lisboa e com a Câmara Municipal de Lisboa, e as sessões distribuíram-se por três dias: sexta-feira a partir das 18:00, sábado às 14:00 e domingo às 13:30.

O calendário não era inocente. Este foi o último compromisso do calendário nacional em que ainda era possível cumprir mínimos para o Campeonato da Europa de Birmingham, o que explica a densidade de marcas produzidas em três tardes. O balanço final da federação aponta um recorde do mundo, dois recordes nacionais absolutos, um recorde nacional de sub-23 e cinco recordes dos campeonatos.

O recorde do mundo pertence a Mamudo Baldé, da Academia João Correia, que correu os 100 metros da classe T54 em 13,49 e venceu também os 400 metros da mesma classe. Nas provas de velocidade absolutas, Tatjana Pinto, do Sporting, correu os 100 metros em 11,02 no sábado, 25 de julho, fixando o recorde nacional da distância e, simultaneamente, o recorde dos campeonatos. Beatriz Castelhano assinou 11,34 na mesma prova e estabeleceu o recorde nacional de sub-23.

O resultado com maior peso simbólico veio dos concursos. Nélson Évora venceu o triplo salto com 16,03 metros, aos 42 anos. É o seu 13.º título nacional na especialidade e o primeiro desde 2017 — uma distância de nove anos entre dois títulos que raramente se vê num setor tão exigente para as articulações. No comprimento masculino, Gerson Baldé, do Sporting, conquistou o quarto título consecutivo com 8,42 metros; a marca não foi homologada porque o vento de cauda registado, de 3,8 metros por segundo, ultrapassou o limite regulamentar de dois metros por segundo.

No setor feminino, Agate de Sousa venceu o comprimento com 6,73 metros e somou o segundo título consecutivo. Jéssica Inchude atirou o peso a 19,62 metros, novo recorde dos campeonatos e sétimo título da carreira. Liliana Cá conquistou o nono título no disco, com um registo que também constitui recorde da prova, e Tsanko Arnaudov chegou ao 11.º título no peso masculino. Os restantes recordes dos campeonatos ficaram para José Carlos Pinto, nos 1500 metros, e para Pedro Buaró, no salto com vara.

O primeiro dia, a 24 de julho, tinha aberto com Fatoumata Diallo a vencer os 400 metros barreiras em 54,46, quarto título consecutivo, e com Diogo Barrigana a fazer 50,31 na prova masculina equivalente. Patrícia Silva venceu os 5000 metros em 15:22.48, batendo Mariana Machado, cinco vezes campeã nacional da distância. Marta Lisboeta venceu o salto em altura com 1,76 metros, Marta Trovoada o dardo com 47,69 metros, Joana Barreto o salto com vara com 3,75 metros e Rogério Amaral os 5000 metros masculinos.

No sábado decidiram-se os títulos de velocidade: Delvis Santos nos 100 metros masculinos, Omar Elkhatib nos 400 metros masculinos e Carina Vanessa nos 400 metros femininos. No domingo, Salomé Afonso venceu os 800 metros e chegou ao sétimo título nacional; Gustavo Pereira, atleta com deficiência auditiva, estabeleceu recorde nacional no salto em altura com 1,93 metros; Edson Gomes venceu os 110 metros barreiras em 13,77; João Oliveira, do CA Marinha Grande, somou 6332 pontos no decatlo; Francisco Calhau venceu o martelo com 68,10 metros; e Eduardo Camarate conquistou o primeiro título nos 10 000 metros marcha.

Fora da pista, a competição serviu ainda para assinalar a distinção de dois treinadores portugueses, Ana Oliveira e João Abrantes, com o galardão de excelência atribuído pela European Athletics ao trabalho de treino. É um reconhecimento raro para o atletismo nacional e recai sobre a parte do sistema que menos aparece nos boletins de resultados.

Três dias e cerca de 700 atletas num único recinto produzem sempre mais números do que histórias. O que fica é a fotografia de um calendário nacional que ainda funciona como filtro final para as grandes competições — e um conjunto de marcas que passam agora a fazer parte do arquivo. Outros materiais da temporada estão reunidos na secção de atletismo; sobre a formação dos escalões que alimentam estes campeonatos escrevemos em academias e formação.