Atletismo · Notícia
Portugal leva a Birmingham a maior comitiva de sempre: 55 atletas nos Europeus
A federação inscreveu 55 atletas no Campeonato da Europa que decorre em Birmingham entre 10 e 16 de agosto. É o maior contingente português alguma vez apresentado numa edição ao ar livre da competição e inclui uma estreia absoluta na estafeta mista.
Portugal vai apresentar-se no 27.º Campeonato da Europa de atletismo com 55 atletas, o maior número alguma vez inscrito pelo país numa edição ao ar livre da prova. A competição decorre entre 10 e 16 de agosto no Alexander Stadium, em Birmingham, e marca a primeira vez que uma cidade britânica recebe o campeonato continental da modalidade. O anterior máximo português tinha sido fixado dois anos antes, em Roma, com 50 atletas.
A lista foi divulgada pela federação em julho e traduz-se numa comitiva total de 91 pessoas: aos 55 atletas juntam-se 23 treinadores, seis elementos da equipa médica e ainda a estrutura de direção e de comunicação. O chefe de missão é Domingos Castro, presidente da federação; Rui Ferreira e Ricardo Vale assumem as funções de team leader, Pedro Pinto é o responsável técnico e a comunicação fica a cargo de Tatiana Gonçalves e de Vasco Félix de Oliveira. É uma estrutura de apoio maior do que a de qualquer deslocação anterior, o que diz tanto sobre o número de atletas como sobre a exigência logística de uma competição de sete dias.
Na distribuição por sexos, a delegação divide-se em 26 atletas femininas e 29 masculinos, um equilíbrio que há uma década seria impensável. Entre os nomes com percurso internacional mais consolidado estão Pedro Pablo Pichardo, no triplo salto, Isaac Nader, nos 1500 metros, e Gerson Baldé e Agate de Sousa, no salto em comprimento. São quatro atletas que chegam a Birmingham com títulos e medalhas de nível mundial no currículo recente — matéria de arquivo, não de antecipação: o que acontecer na pista de Birmingham só ficará escrito depois de 10 de agosto.
A novidade estrutural desta inscrição está numa prova que Portugal nunca tinha disputado no campeonato: a estafeta mista de 4 por 100 metros. Foram convocadas Arialis Martínez, Beatriz Castelhano, Lorène Bazolo e Tatjana Pinto, do lado feminino, e André Prazeres, David Landim, Delvis Santos e Gabriel Maia, do lado masculino. A prova obriga a alternar atletas dos dois sexos dentro da mesma equipa e a resolver, em treino, transmissões entre corredores com passadas e velocidades diferentes — um problema técnico novo para o setor de velocidade nacional.
Há também especialidades em que Portugal se apresenta com vários representantes. No triplo salto masculino alinham Pichardo e Tiago Luís Pereira. No lançamento do peso, o país tem três atletas no setor feminino — Auriol Dongmo, Eliana Bandeira e Jéssica Inchude — e Tsanko Arnaudov no masculino. Na maratona, disputada fora do estádio, pelas ruas da cidade, competem Mónica Magalhães Silva, Sara Duarte e Vanessa Carvalho entre as mulheres e Carlos Manuel Costa entre os homens.
Uma delegação deste tamanho não se explica apenas por um bom ano. O acesso a um campeonato da Europa faz-se por marca de qualificação obtida dentro de um período definido ou por posição no ranking acumulado da temporada, e ambos os caminhos obrigam a competir com regularidade ao longo de meses. Os Campeonatos de Portugal disputados em Lisboa no final de julho foram, para muitos destes atletas, a última janela para confirmar mínimos — e foi aí que várias inscrições ficaram fechadas.
O programa competitivo distribui-se por 13 sessões ao longo de sete dias, com as provas de estrada a saírem do estádio para o centro de Birmingham. Publicámos à parte o calendário completo de finais e a explicação do formato da competição, incluindo os dias em que se decidem as especialidades com presença portuguesa. Para acompanhar o resto da temporada de pista, a secção de atletismo reúne todos os materiais publicados pela redação.
Resta o que uma lista de convocados nunca diz: quantos destes 55 atletas chegam ao campeonato na melhor forma da época e quantos chegam apenas com o mínimo cumprido. É uma distinção que só a competição resolve, e que esta redação não antecipa. O que fica registado, por agora, é o número — 55 — e a data em que passou a ser o mais alto de sempre.